Entrevista – Ana Koehler fala do mercado Europeu de HQS

Hoje vamos saber o que a quadrinista Ana Luiza Koehler pensa sobre o mercado de HQs no Brasil e no mundo e sobre os quadrinhos da Europa.

Vai falar também sobre como ela enxerga o trabalho das mulheres nesse meio dominado por homens e muito mais.

Mais uma entrevista no Multiverso Comicon com Ana Koehler que é gaúcha e seus quadrinhos são publicados principalmente para editoras francesas e belgas. É formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade do Rio Grande do Sul (UFRGS) e desenha desde os 16 anos de idade. Seu primeiro trabalho internacional foi um livro didático francês. Outros trabalhos importantes de Ana Luiza são a HQ Awrah (tomo 1 e 2), em 2010, e sua participação no álbum MSP Novos 50.

Produtora Multiverso – Como surgiu seu interesse por quadrinhos?

ANA KOEHLER entrevista
Imagem: Redes sociais Ana Luiza

Ana Koehler – Como sempre gostei de desenho, e as histórias em quadrinhos oferecem um universo incrivelmente rico neste âmbito, comecei a interessar-me por elas muito cedo. Sempre lia revistinhas da Disney, Turma da Mônica, e depois a paixão pelos super-heróis veio com as primeiras edições dos Novos Titãs da Abril.

PM – Em quais projetos você se envolveu e gostou?

entrevista ANA KOEHLER
Imagem: Redes sociais Ana Luiza

AK – Trabalhei em um projeto de quadrinhos para o mercado francês e também em uma série de ilustrações científicas para um museu arqueológico na Alemanha.

PM – Como é trabalhar numa área predominantemente masculina? Aliás, no mercado europeu a área também é predominantemente masculina?

AK – Sim, lá também esse padrão se repete, mas aos poucos começamos a ter uma distribuição mais equilibrada.

Nesse âmbito, o que mais me chama atenção e até incomoda é o fato de os quadrinhos serem uma mídia feita por homens para o olhar e a fantasia masculina, e assim estereotipam e objetificam muitas vezes as personagens femininas em sua ação e representação gráfica. Isso afasta o público leitor feminino.

Ana Luiza Koehler
Imagem: Redes sociais Ana Luiza

Os quadrinhos que as meninas e mulheres gostam de ler justamente por não ter esta carga sexista na mesma proporção são em sua maioria mangás, ou quadrinhos ditos “femininos”. É um erro rotular a priori essas produções, pois os quadrinhos são uma expressão artística universal, que deve poder encontrar ressonância em todos os grupos sociais.

PM – Na sua opinião, quais são as principais peculiaridades do quadrinho europeu?

AK – Eu diria que é a diversidade de histórias e estilos. Excetuando-se alguns personagens de maior destaque e mais explorados comercialmente, há uma grande liberdade de proposição para os quadrinhos autorais mas também há uma grande exigência gráfica para os desenhistas, principalmente em termos de pesquisa sobre vestimentas dos personagens, planos de fundo detalhados e outros aspectos.

Ana Luiza Koehler Ilustrador
Imagem: Redes sociais Ana Luiza

A diversidade de estilos também é importante. Não é necessário adaptar-se a um traço mais ou menos comercial para poder desenhar uma história em quadrinhos para o mercado franco-belga, mas há que se ter competência e domínio para produzir narrativas visuais claras e fluidas.

PM – Quais as diferenças que você pode citar no trabalho das mulheres nesta área de ilustração e HQs?

AK – Não creio que haja uma diferença na produção das mulheres da área como um todo, mas toda uma gama de expressões bastante variada. Há mulheres que reproduzem a linguagem gráfica tradicional dos comics e da ilustração de fantasia de forma mais ou menos masculina; há mulheres cujo trabalho independe totalmente deste repertório adquirido na própria leitura dos quadrinhos e há ainda mulheres cuja produção se identifica com gêneros de quadrinhos considerados mais “femininos”.

Ilustrador Ana Luiza
Imagem: Redes sociais Ana Luiza

É necessário despir-se de pré-concepções neste sentido. Há muitas formas de expressões usadas pelas mulheres que são usadas também por homens, e vice-versa. Não acredito que o gênero em si determine a expressão, mas sim o repertório que o autor acumula ao longo de suas leituras.

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Friso que o autor ou autora possa antes de tudo lançar um olhar crítico sobre o repertório gráfico e narrativo do que lê de modo a escolher aquilo que ele ou ela quer ver na sua obra, rejeitando ou adotando determinadas linguagens. O que me incomoda é a repetição irrefletida de padrões pré-existentes.

PM – Até agora, qual foi o projeto que você mais gostou de desenvolver?

desenhista Ana Luiza Koehler
Imagem: Redes sociais Ana Luiza

AK – As ilustrações para o projeto museográfico do Museu Viking de Haithabu,  a série “Awrah” e a história “Uma tarde no museu”, integrante da antologia MSP Novos 50.

PM – Você deseja publicar algum trabalho autoral no mercado nacional?

AK – Sim! Tenho muitos projetos que gostaria de desenvolver para o mercado nacional, e espero colocá-los em prática nos próximos anos.

PM – Como você avalia o atual momento dos quadrinhos no mundo?

AK – Nos EUA, os quadrinhos parecem estar lutando para manter-se frente às investidas das novas tecnologias e meios de comunicação, em especial os games. Em resposta, parecem estar adaptando-se às plataformas portáteis (tablets, telefones celulares) e à comercialização online.

Ana Koehler entrevistada
Imagem: Redes sociais Ana Luiza

No mercado franco-belga há o mesmo problema mas em menor grau, pois há uma tradição muito forte de produção e consumo de quadrinhos. Por outro lado, os editores enchem o mercado com um excesso de títulos e reduzem os preços pagos aos autores. Ainda assim, os quadrinhos são considerados lá como um dos pilares da literatura e uma forma de ingresso no mundo da leitura, e as tiragens são astronômicas comparadas com as daqui.

PM – E no cenário nacional?

AK – Parece estar em franca ebulição, com muitos autores já se consagrando aqui e no exterior e muitos outros surgindo, divulgando seu trabalho nas redes sociais. É hora dos editores começarem a aproveitar a prata da casa, como a MSP.

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É muito importante que meninos, meninas, homens e mulheres vejam que há muitas autoras de quadrinhos e ilustrações atuando nesse mercado.

Para mais informações acesse: https://www.analuizakoehler.com/

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